História |
No campo territorial, a nova condição política do Brasil como reino contribuiu para justificar diplomaticamente a incorporação, em 1821, da região da Banda Oriental, disputada havia décadas entre portugueses e espanhóis, e posteriormente entre brasileiros e as autoridades independentistas platinas.
Essa incorporação, formalizada sob o nome de Província Cisplatina, representou a última grande expansão territorial promovida ainda sob o domínio português na América do Sul, embora sua permanência sob controle luso-brasileiro se mostrasse, já naquele momento, bastante instável.
As tensões geradas por essa anexação territorial contribuiriam, poucos anos mais tarde, já no período do Brasil independente, para o eclodir de conflitos militares que resultariam, eventualmente, na perda definitiva daquele território e na criação do atual Uruguai.
A criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves representou, em síntese, o ápice institucional do processo de valorização política do Brasil iniciado com a chegada da corte em 1808, consolidando um estatuto que, poucos anos depois, tornaria ainda mais evidentes as contradições do sistema colonial anterior.
Paradoxalmente, essa mesma elevação de estatuto contribuiria, no médio prazo, para acirrar tensões dentro do próprio reino português, especialmente a partir do momento em que setores da sociedade portuguesa passaram a reivindicar o retorno definitivo da corte a Lisboa.
Essas tensões, que se intensificariam significativamente a partir de 1820 com a eclosão de um movimento revolucionário liberal na cidade do Porto, colocariam em xeque a própria continuidade da união política entre Brasil e Portugal, tema do próximo capítulo deste módulo.