História |
A crise política que marcou os últimos meses do governo de João Goulart intensificou-se com a defesa pública das chamadas Reformas de Base, sobretudo a reforma agrária, anunciadas no célebre Comício da Central do Brasil, em 13 de março de 1964.
Esse discurso, que reunia dezenas de milhares de pessoas no Rio de Janeiro, foi interpretado por setores conservadores como sinal de radicalização à esquerda do governo federal.
Em resposta, organizou-se em São Paulo, no dia 19 de março, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, mobilização de rua que reunia setores da classe média, empresariado e a Igreja Católica em protesto contra o suposto avanço comunista.
A grande imprensa, majoritariamente contrária ao governo Goulart, contribuiu decisivamente para amplificar o clima de instabilidade e para legitimar publicamente uma solução de força.
Paralelamente, setores das Forças Armadas articulavam havia meses um movimento de deposição do presidente, sob a liderança de generais como Humberto de Alencar Castelo Branco e Arthur da Costa e Silva.
Documentos revelados décadas depois confirmaram que o governo dos Estados Unidos, por meio da chamada Operação Brother Sam, preparou apoio logístico a um eventual movimento militar contra Goulart.