História |
Diante da crescente pressão exercida pelas Cortes portuguesas, Dom João VI viu-se obrigado a tomar uma difícil decisão: retornar a Portugal para preservar sua autoridade monárquica ou permanecer no Brasil e arriscar o rompimento definitivo com o reino europeu.
Após meses de hesitação, Dom João VI decidiu finalmente embarcar de volta a Portugal em 26 de abril de 1821, deixando como regente do Reino do Brasil seu filho mais velho, o príncipe Dom Pedro, então com apenas vinte e dois anos de idade.
Antes de partir, Dom João VI teria aconselhado secretamente seu filho a permanecer no Brasil caso as Cortes portuguesas insistissem em restabelecer o antigo estatuto colonial, prevendo já naquele momento a possibilidade de uma futura ruptura política entre as duas nações.
Com a partida de Dom João VI, as Cortes de Lisboa intensificaram suas exigências de recolonização do Brasil, aprovando decretos que buscavam eliminar as instituições criadas desde 1808, extinguir os tribunais superiores estabelecidos no Rio de Janeiro e reduzir o Brasil novamente à condição de mera colônia.
Entre as medidas mais controversas aprovadas pelas Cortes, destacava-se a determinação explícita de que o próprio príncipe regente Dom Pedro deveria também retornar imediatamente a Portugal, medida interpretada por muitos setores da elite política brasileira como tentativa clara de reverter as conquistas obtidas pelo Brasil desde a chegada da corte.
Essa exigência, somada ao conjunto de medidas recolonizadoras aprovadas pelas Cortes, provocaria forte reação de setores da sociedade brasileira, especialmente entre proprietários de terras, comerciantes e a própria elite política sediada no Rio de Janeiro, cada vez mais resistentes ao retorno ao antigo estatuto colonial.