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História  |  

Entre essas nações, Portugal destacava-se por uma conjunção única de fatores. Enquanto reinos como França e Inglaterra estavam imersos em conflitos internos, os portugueses haviam consolidado precocemente seu Estado nacional.

A Revolução de Avis, em 1385, pôs fim a um período de instabilidade e centralizou o poder na figura do rei, criando uma monarquia forte, unificada e com os olhos voltados para o mar. A expulsão dos mouros do seu território antes do que seus vizinhos ibéricos garantiu uma paz interna rara no continente.

Sua posição geográfica, no extremo sudoeste da Europa, banhada pelo Atlântico, fez do país uma natural "plataforma de lançamento" para as viagens oceânicas.

Foi da ponta sul de Portugal, no promontório de Sagres, que o Infante D. Henrique, o Navegador, não como um cientista solitário, mas como um grande organizador e mecenas, canalizou esses ventos favoráveis.

Ao reunir os melhores cartógrafos, astrônomos, pilotos e construtores navais da época, ele criou um centro de excelência náutica onde se aprimoravam técnicas, se compilavam conhecimentos e se planejavam as viagens que desvendariam o litoral africano.

Os motivos que impulsionavam as caravelas para o desconhecido podem ser compreendidos como uma tríade de forças poderosas e interligadas.

A "Fé" representava o zelo religioso da época, a missão de levar o cristianismo aos povos pagãos e combater os infiéis muçulmanos, uma extensão do espírito das Cruzadas.

Os "Negócios" simbolizavam a busca material por ouro, especiarias e a abertura de novos mercados, concretizando os princípios do Mercantilismo, doutrina que via no acúmulo de metais preciosos a verdadeira medida da riqueza de uma nação.

E, por fim, a "Glória" – o desejo de prestígio para a Coroa portuguesa, de honras e títulos para a nobreza, de novas oportunidades para os comerciantes e de terras e uma vida melhor para as camadas populares.

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