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História  |  

No extremo norte da colônia, o Estado do Maranhão possuía uma administração separada do restante do Brasil, subordinada diretamente a Lisboa devido à sua distância e às particularidades econômicas locais.

Diferentemente do Nordeste açucareiro, a economia maranhense baseava-se principalmente na produção de algodão e outros gêneros agrícolas, com forte dependência do trabalho escravo indígena.

A escassez de escravizados africanos na região, decorrente de sua distância dos principais portos de tráfico negreiro, tornava os colonos maranhenses profundamente dependentes da mão de obra nativa.

Assim como ocorrera em outras partes da colônia, os jesuítas atuantes no Maranhão defendiam a liberdade dos indígenas convertidos, opondo-se à escravização promovida pelos colonos locais.

Essa tensão entre colonos e religiosos se agravou com a criação da Companhia de Comércio do Maranhão, em 1682, empresa que recebeu o monopólio sobre o fornecimento de escravos africanos e produtos básicos à região.

A promessa era que a companhia suprisse a colônia com mão de obra africana suficiente, reduzindo a dependência do trabalho indígena e das tensões que ele gerava com os jesuítas.

Na prática, contudo, a Companhia de Comércio do Maranhão fracassou em cumprir suas promessas, fornecendo poucos escravizados africanos a preços exorbitantes e monopolizando também a venda de produtos essenciais.

Os colonos, endividados e sem acesso suficiente à mão de obra necessária para suas lavouras, viram-se em uma situação econômica cada vez mais insustentável ao longo da década de 1680.

A insatisfação crescente convergiu para um sentimento de revolta contra três alvos principais: a companhia de comércio, os jesuítas e, indiretamente, a própria administração colonial portuguesa.

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