História |
Em 24 de fevereiro de 1684, a insatisfação popular explodiu em um levante armado liderado pelos irmãos Manuel Beckman e Tomás Beckman, senhores de engenho locais de origem alemã e portuguesa.
Os revoltosos tomaram o poder em São Luís, capital do Estado do Maranhão, prenderam o governador Balthazar Fernandes e expulsaram os padres jesuítas da cidade.
Formou-se então um governo provisório, liderado por uma junta de colonos, que assumiu o controle administrativo da capitania por cerca de um ano.
As principais reivindicações dos revoltosos incluíam o fim do monopólio comercial exercido pela Companhia de Comércio do Maranhão e a liberdade para escravizar indígenas sem a interferência jesuítica.
O movimento contou com apoio considerável entre os senhores de engenho e comerciantes locais, que se sentiam prejudicados tanto pela companhia quanto pelas restrições impostas pelos religiosos.
Apesar do descontentamento generalizado, a revolta manteve, em geral, um discurso de fidelidade à Coroa portuguesa, direcionando sua indignação contra a companhia e os jesuítas, não contra o rei.
A notícia do levante chegou a Lisboa meses depois, levando a Coroa portuguesa a tomar medidas para restabelecer sua autoridade sobre a distante capitania maranhense.
Em 1685, um novo governador, Gomes Freire de Andrade, foi enviado ao Maranhão com a missão de retomar o controle da região e negociar uma solução para o conflito.
Freire de Andrade optou por uma abordagem relativamente moderada, oferecendo perdão à maioria dos envolvidos na revolta, exceto aos líderes mais diretamente responsáveis pelo levante.