História |
O descontentamento crescente culminou, em 1645, na eclosão da chamada Insurreição Pernambucana, um levante armado liderado por figuras como João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros e o indígena Filipe Camarão.
Também se destacou nessa luta o líder negro Henrique Dias, que comandou tropas formadas majoritariamente por homens libertos e escravizados na resistência contra os holandeses.
Essa aliança multiétnica entre senhores de engenho, indígenas e negros representa um dos episódios mais emblemáticos de resistência coletiva na história colonial brasileira.
As batalhas dos Montes Guararapes, travadas em 1648 e 1649, marcaram vitórias decisivas das forças luso-brasileiras contra o exército holandês, invertendo o rumo do conflito.
Essas batalhas são frequentemente citadas como um dos primeiros episódios em que se manifestou um sentimento de identidade coletiva especificamente brasileira, distinta da simples lealdade à Coroa portuguesa.
Apesar das derrotas sucessivas, os holandeses ainda resistiram por alguns anos, mantendo o controle sobre Recife e algumas fortificações remanescentes na região.
A resistência holandesa foi finalmente rendida em 1654, quando Recife capitulou diante das forças luso-brasileiras, encerrando definitivamente a ocupação do Nordeste açucareiro.
O tratado de rendição previu condições relativamente favoráveis aos holandeses, que puderam deixar a região com seus bens, embora tenham perdido definitivamente o controle territorial.
Somente em 1661, por meio do Tratado de Haia, Portugal reconheceu formalmente uma indenização financeira à Holanda, encerrando de vez as disputas diplomáticas sobre o território.