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História  |  

Desde os primeiros anos da escravidão africana no Brasil, a fuga constituiu uma das formas mais recorrentes de resistência, levando homens e mulheres escravizados a buscar refúgio em regiões afastadas dos engenhos e das vilas coloniais.

Na região da Serra da Barriga, no interior da então capitania de Pernambuco, no território que corresponde ao atual estado de Alagoas, esses fugitivos encontraram um ambiente propício ao estabelecimento de comunidades duradouras e relativamente protegidas.

Foi ali que se formou, ainda nas primeiras décadas do século XVII, o conjunto de povoados que ficaria conhecido como Quilombo dos Palmares, o maior e mais longevo agrupamento de resistência escrava da história colonial brasileira.

O termo quilombo, de origem banta, remetia originalmente a instituições de iniciação militar existentes em regiões da África central, o que sugere a influência direta de tradições políticas africanas na organização dessas comunidades no Brasil.

Palmares não constituía um único núcleo populacional, mas sim uma confederação de diversos povoados, chamados mocambos, espalhados por uma extensa área de mata fechada e de difícil acesso, o que dificultava enormemente as investidas repressoras.

Estima-se que, em seu período de maior expansão, na segunda metade do século XVII, Palmares tenha abrigado dezenas de milhares de habitantes, entre africanos fugidos, seus descendentes nascidos livres e, em menor número, indígenas e mestiços.

A localização estratégica, entre a Zona da Mata açucareira e o sertão, permitia aos habitantes de Palmares desenvolver uma economia relativamente autossuficiente, baseada na agricultura de subsistência, na criação de animais e no comércio com povoados vizinhos.

Cultivava-se mandioca, milho, feijão e cana-de-açúcar em roças coletivas, enquanto o artesanato em ferro, herdado de técnicas africanas, permitia a fabricação de ferramentas agrícolas e armas utilizadas na defesa das comunidades.

Esse relativo grau de autonomia econômica representava, aos olhos dos senhores de engenho, uma ameaça direta ao sistema escravista, tanto pela perda de mão de obra quanto pelo exemplo perigoso de liberdade que Palmares oferecia aos demais escravizados.

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