História |
Nas últimas décadas do século XVIII, a região das minas enfrentava um cenário de crescente crise econômica, marcado pelo declínio progressivo da produção de ouro, que já não conseguia sustentar as elevadas cotas fiscais exigidas pela Coroa portuguesa.
Diante da queda na arrecadação, tornava-se cada vez mais provável a aplicação da temida derrama, mecanismo que obrigava a população mineira a arcar coletivamente com eventuais déficits acumulados em relação à cota mínima anual de ouro estabelecida pela metrópole.
Esse clima de apreensão econômica somava-se ao ressentimento acumulado ao longo de décadas contra a rígida fiscalização portuguesa sobre a mineração, incluindo restrições severas à instalação de manufaturas e ao livre comércio na colônia.
Paralelamente às tensões econômicas, uma parcela da elite mineira, formada por magistrados, clérigos, militares e proprietários rurais, teve contato crescente com as ideias iluministas que circulavam pela Europa e pelas recém-independentes colônias inglesas da América do Norte.
Muitos desses indivíduos haviam estudado em universidades europeias, sobretudo na Universidade de Coimbra, onde tiveram acesso a obras de filósofos iluministas franceses, que defendiam princípios como a soberania popular, a liberdade individual e a limitação do poder monárquico.
A recente independência das treze colônias britânicas na América do Norte, proclamada em 1776, servia também como inspiração e exemplo concreto de que era possível romper com o domínio colonial europeu e estabelecer um governo republicano autônomo.
Foi nesse contexto de crise econômica e efervescência intelectual que se formou, entre 1788 e 1789, um grupo conspirador em Vila Rica, reunindo figuras influentes da sociedade mineira decididas a articular um movimento de independência em relação a Portugal.
Entre os principais participantes da conspiração encontravam-se o poeta Tomás Antônio Gonzaga, o poeta e magistrado Cláudio Manuel da Costa, o cônego Luís Vieira da Silva e diversos outros integrantes da elite intelectual e política da capitania mineira.
Também participava do movimento o alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido popularmente como Tiradentes, oficial de baixa patente que se destacava por sua atuação como dentista prático e por sua intensa articulação política entre diferentes grupos sociais.