História |
A extração do ouro nas primeiras décadas da exploração mineira baseava-se principalmente na garimpagem em aluviões, ou seja, na busca por partículas e pepitas de ouro depositadas nos leitos e nas margens dos rios da região.
A técnica mais comum era a utilização da bateia, uma espécie de recipiente de madeira com o qual escravizados, sob supervisão de feitores, lavavam repetidamente o cascalho dos rios até separar as partículas mais pesadas de ouro.
Esse trabalho, extremamente penoso e realizado muitas vezes com os pés e as mãos submersos em água fria durante longas jornadas, resultava em elevadas taxas de mortalidade entre a população escravizada empregada na mineração.
Diferentemente da economia açucareira, baseada em grandes propriedades monocultoras, a mineração favoreceu inicialmente uma estrutura produtiva mais fragmentada, com um número maior de pequenos e médios proprietários de escravizados, chamados faisqueiras quando trabalhavam sozinhos ou com poucos auxiliares.
Essa relativa pulverização da riqueza, ao menos em comparação com o modelo açucareiro, permitiu certa mobilidade social a alguns setores da população livre e, eventualmente, a possibilidade de alforria para escravizados que conseguiam garimpar ouro para si.
Ainda assim, a maior parte da riqueza extraída concentrava-se nas mãos de poucos grandes proprietários e de comerciantes que controlavam o abastecimento de mantimentos, ferramentas e escravizados para a região mineradora.
Com o passar das décadas, à medida que os depósitos de aluvião se esgotavam, tornou-se necessário desenvolver técnicas mais complexas de mineração, como a exploração de veios de ouro encravados em rochas, exigindo maior investimento em infraestrutura.
Surgiram assim as chamadas catas, grandes escavações a céu aberto realizadas com o auxílio de desvios de cursos d'água, que permitiam atingir depósitos auríferos localizados mais profundamente no subsolo das montanhas mineiras.
Essa transição técnica, ocorrida sobretudo a partir de meados do século XVIII, exigiu maior concentração de capital e de mão de obra escravizada, favorecendo o fortalecimento de proprietários mais abastados em detrimento dos pequenos faiscadores.