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A revogação do Tratado de Madri não significou o retorno automático à antiga linha de Tordesilhas, mas sim a manutenção de um período de incerteza jurídica quanto aos limites territoriais entre os domínios português e espanhol na América.
Esse período de indefinição estendeu-se por quase duas décadas, durante as quais persistiram tensões pontuais em diversas regiões de fronteira, especialmente no extremo sul do continente, próximo aos territórios reivindicados por ambas as coroas.
Somente em 1777, com a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, as duas potências ibéricas conseguiram estabelecer um novo acordo definitivo, que retomava, com ajustes específicos, os princípios gerais já estabelecidos anteriormente pelo Tratado de Madri.
O Tratado de Santo Ildefonso confirmou a soberania portuguesa sobre a maior parte do território ocupado ao longo dos séculos anteriores, consolidando fronteiras que se aproximam, em linhas gerais, dos atuais limites meridionais e ocidentais do Brasil.
Pelo acordo, a Espanha obteve o reconhecimento definitivo de sua soberania sobre a Colônia do Sacramento e sobre a chamada Banda Oriental, território que corresponderia futuramente ao atual Uruguai, encerrando de vez as disputas em torno dessa região.
Em compensação, Portugal manteve sob seu domínio praticamente todo o restante do território conquistado através da expansão bandeirante, incluindo as ricas regiões mineradoras de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, além de vastas áreas amazônicas.
Os tratados de Madri e Santo Ildefonso representaram, em conjunto, o reconhecimento diplomático formal de um processo de expansão territorial que já vinha ocorrendo, na prática, havia mais de um século, promovido por bandeirantes, mineradores e tropeiros.
Esse reconhecimento consolidou as bases geográficas fundamentais do que se tornaria, séculos mais tarde, o território da nação brasileira, distinguindo-a claramente das demais repúblicas hispano-americanas surgidas após os processos de independência do início do século XIX.
A definição dessas fronteiras, contudo, não trouxe estabilidade política interna à colônia, que enfrentaria, nas décadas finais do século XVIII, crescentes tensões econômicas e sociais decorrentes da crise da mineração e do peso da fiscalização metropolitana.