História |
Já no início do século XX, a cidade do Rio de Janeiro, então capital federal, foi palco de importante movimento de contestação urbana conhecido como Revolta da Vacina, ocorrido em 1904 durante o governo de Rodrigues Alves.
O episódio teve origem na campanha de vacinação obrigatória contra a varíola, conduzida pelo sanitarista Oswaldo Cruz no âmbito de um amplo projeto de reforma urbana e sanitária destinado a modernizar a capital federal.
A obrigatoriedade da vacinação, imposta sem adequada campanha de esclarecimento público e associada a um contexto mais amplo de reformas urbanas que promoviam a demolição de cortiços e a expulsão de populações pobres do centro da cidade, gerou intensa revolta popular.
Os protestos, que combinavam resistência sanitária, insatisfação com as reformas urbanas excludentes e descontentamento político mais amplo, resultaram em confrontos violentos nas ruas cariocas, com saldo significativo de mortos e feridos.
A Revolta da Vacina evidenciou tanto os limites do autoritarismo científico e higienista das elites republicanas quanto a capacidade de mobilização popular diante de políticas públicas impostas sem qualquer diálogo com a população diretamente afetada.
O episódio tornou-se, com o tempo, símbolo emblemático das tensões entre projetos modernizadores excludentes e as populações pobres urbanas na história republicana brasileira.