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História  |  

O termo coronelismo designa o sistema de poder político característico da Primeira República brasileira, baseado na figura do coronel, chefe político local que exercia enorme influência sobre a vida econômica, social e eleitoral de seu município.

A origem histórica do título de coronel remonta à Guarda Nacional, criada ainda durante o Império, cujas patentes mais elevadas eram frequentemente concedidas a grandes proprietários rurais em reconhecimento de seu prestígio social e econômico local.

Durante a Primeira República, o coronel exercia funções que extrapolavam amplamente suas atribuições formais, atuando como verdadeiro intermediário entre a população local e as esferas estadual e federal de poder, das quais dependia parcela significativa da população para acesso a empregos, favores e serviços públicos.

Essa relação de dependência mútua entre coronéis, eleitores e autoridades estaduais e federais constituía a base do chamado sistema coronelista, fundamental para a compreensão do funcionamento concreto da política brasileira nesse período.

O poder do coronel baseava-se, sobretudo, em sua condição de grande proprietário de terras, capaz de oferecer proteção, emprego e assistência a trabalhadores rurais dependentes, em troca de fidelidade política manifestada especialmente por meio do voto.

Esse arranjo de poder local articulava-se diretamente aos mecanismos fraudulentos discutidos em capítulo anterior, como o voto de cabresto e a política do bico de pena, formando um sistema coeso de dominação política em múltiplas escalas.

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