História |
A crescente concentração de trabalhadores urbanos nas fábricas têxteis e demais estabelecimentos industriais em expansão favoreceu a organização de movimentos grevistas e sindicais, que reivindicavam melhores salários, redução da jornada de trabalho e condições mais dignas de labor.
A greve geral de 1917, ocorrida em São Paulo e amplamente influenciada por militantes anarquistas de origem imigrante, constituiu um dos episódios mais significativos da história do movimento operário brasileiro durante a Primeira República.
A resposta do Estado e dos empregadores a esses movimentos combinava, com frequência, repressão policial violenta e concessões pontuais e limitadas, refletindo tanto o temor das elites diante da organização crescente da classe trabalhadora quanto a fragilidade da legislação trabalhista então vigente no país.
A ausência de uma legislação social abrangente, que somente seria construída de forma mais sistemática a partir da década de 1930, deixava os trabalhadores urbanos extremamente vulneráveis diante do poder discricionário de empregadores e autoridades públicas.
Paralelamente às tensões urbanas, o campo brasileiro permanecia majoritariamente organizado segundo lógicas tradicionais de dominação pessoal, com o coronelismo funcionando como principal mecanismo de controle social e político sobre populações rurais dispersas e pouco escolarizadas.
Essa convivência entre uma sociedade rural tradicional e uma sociedade urbana em rápida transformação constituiria uma das principais contradições estruturais da Primeira República brasileira.