História |
A crise definitiva do arranjo oligárquico da Primeira República teve como estopim imediato a ruptura da tradicional aliança entre as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais na sucessão presidencial de 1930, rompendo o histórico revezamento conhecido como Café com Leite.
O presidente paulista Washington Luís, contrariando a expectativa mineira de alternância no poder, indicou como seu sucessor outro paulista, Júlio Prestes, decisão que provocou forte reação da oligarquia mineira, que se sentiu traída pelo rompimento do acordo tradicional.
Diante dessa ruptura, formou-se a Aliança Liberal, coalizão política que reunia oligarquias dissidentes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, além de setores tenentistas e camadas médias urbanas insatisfeitas com o sistema oligárquico vigente.
A Aliança Liberal lançou como candidato à presidência Getúlio Vargas, então governador do Rio Grande do Sul, tendo João Pessoa, governador da Paraíba, como candidato a vice-presidente, em chapa que defendia bandeiras de moralização política e reforma social.
A eleição presidencial de março de 1930, marcada por denúncias generalizadas de fraude eleitoral em favor do candidato governista Júlio Prestes, resultou na vitória oficial da situação, decisão fortemente contestada pela oposição aliancista.
O assassinato de João Pessoa, candidato a vice-presidente da chapa oposicionista, ocorrido em julho daquele ano por motivações aparentemente pessoais, mas rapidamente instrumentalizado politicamente, serviria de estopim para a articulação de um movimento armado contra o governo eleito.