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Apesar do crescimento expressivo do Produto Interno Bruto, os benefícios econômicos do período concentraram-se fortemente nas camadas mais altas da sociedade, agravando as desigualdades sociais já existentes.
Essa realidade ficou expressa na célebre frase atribuída ao ministro Antônio Delfim Netto, segundo a qual seria necessário “fazer o bolo crescer para depois reparti-lo”, frase posteriormente criticada por legitimar a concentração de renda.
Paralelamente, observou-se uma expansão significativa da classe média urbana, beneficiada pelo acesso ampliado ao crédito ao consumidor e pela popularização de bens duráveis, como automóveis e eletrodomésticos.
Esse processo contribuiu para o fortalecimento do mercado interno de consumo, ainda que restrito a parcelas específicas da população brasileira.
As desigualdades regionais também se acentuaram nesse período, com o Nordeste brasileiro permanecendo à margem dos principais benefícios do crescimento econômico concentrado no eixo Sul-Sudeste.
Nas periferias das grandes metrópoles, o crescimento urbano acelerado sem planejamento adequado agravou problemas de moradia, saneamento e mobilidade.