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Em 31 de outubro de 1517, o monge agostiniano alemão Martinho Lutero afixou, segundo a tradição, suas 95 teses na porta da igreja do castelo de Wittenberg, um documento acadêmico que questionava a venda de indulgências e outras práticas da Igreja.
Lutero não pretendia, a princípio, romper com a Igreja Católica, mas provocar um debate teológico sobre temas que considerava contrários aos ensinamentos bíblicos originais.
Com a ajuda da imprensa, as teses foram rapidamente traduzidas do latim e difundidas por toda a Alemanha, transformando um debate acadêmico em uma controvérsia pública de grandes proporções.
Os Princípios Teológicos de Lutero
A doutrina luterana baseava-se em alguns princípios centrais que rompiam com a teologia católica tradicional: a sola fide (somente a fé), segundo a qual a salvação seria alcançada pela fé, e não por obras ou pagamentos.
Outro princípio fundamental era a sola scriptura (somente a Escritura), que afirmava a Bíblia como única fonte de autoridade religiosa, dispensando a necessidade de mediação do papa e da hierarquia eclesiástica entre os fiéis e Deus.
Lutero também traduziu o Novo Testamento para o alemão, tornando as Escrituras acessíveis a um público muito mais amplo e contribuindo, ainda, para a padronização da língua alemã escrita.
A Ruptura com Roma
Convocado a se retratar, Lutero recusou-se publicamente na Dieta de Worms (1521), perante o imperador Carlos V, sendo em seguida condenado como herege e colocado fora da lei pelo Império.
Protegido pelo príncipe Frederico, o Sábio, da Saxônia, Lutero escondeu-se no castelo de Wartburg, onde continuou seu trabalho de tradução bíblica, consolidando as bases da nova doutrina que viria a ser chamada de luteranismo.