História |
Antes do movimento liderado por Martinho Lutero, outras vozes já haviam questionado publicamente a autoridade e as práticas da Igreja Católica, sendo por isso considerados pré-reformadores.
Na Inglaterra do século XIV, o teólogo John Wyclif defendeu a tradução da Bíblia para línguas vernáculas e contestou a autoridade papal, afirmando que a Escritura, e não a hierarquia eclesiástica, deveria ser a fonte última da fé cristã.
Na Boêmia, influenciado por Wyclif, Jan Hus criticou abertamente a venda de indulgências e a riqueza do clero no início do século XV, tendo sido condenado por heresia e queimado na fogueira em 1415, o que gerou revoltas populares em seu país.
A Crítica Humanista: Erasmo de Roterdã
O humanismo renascentista, estudado no módulo anterior, também contribuiu para preparar o terreno da Reforma. O holandês Erasmo de Roterdã, um dos maiores humanistas de sua época, criticou duramente a corrupção do clero em obras como Elogio da Loucura (1509).
Apesar de suas críticas contundentes, Erasmo defendia uma reforma feita a partir de dentro da própria Igreja, recusando-se a romper com Roma, o que o diferenciava dos reformadores mais radicais que viriam a seguir.
Um Terreno Preparado
O conjunto dessas críticas — teológicas, morais e econômicas — não foi suficiente, por si só, para provocar uma ruptura definitiva com a Igreja Católica, mas criou um ambiente intelectual propício ao surgimento de um movimento de contestação mais amplo e organizado.
Esse movimento encontraria, no início do século XVI, na Alemanha, o personagem que lhe daria forma e impulso decisivos: o monge agostiniano Martinho Lutero.